Home Data de criação : 08/01/23 Última atualização : 10/02/05 10:52 / 3494 Artigos publicados
 

*¨`*:Fábulas & Parábolas& Contos*¨`*:

(¯`·._.·[O toque de ouro ]·._.·´¯)  (*¨`*:Fábulas & Parábolas& Contos*¨`*:) escrito em quinta 25 fevereiro 2010 04:57

GOLDSCROLLUPWARDS-1.gif GOLD SCROLL UPWARDS image by aneelahafeez lenefads149.png fadas image by miazinha_26 

GOLDSCROLLUPWARDS-1.gif GOLD SCROLL UPWARDS image by aneelahafeez

 O toque de ouro

GOLDSCROLLUPWARDS-1.gif GOLD SCROLL UPWARDS image by aneelahafeez
Era uma vez um rei muito rico chamado Midas.
Ele possuía mais ouro do que qualquer outro
no mundo inteiro, mas ainda assim
 não estava satisfeito.
Nada o deixava mais feliz do que conseguir
acrescentar um pouco mais à sua riqueza.
Mantinha-o todo guardado em enormes cofres
nos subterrâneos do palácio,
e passava muitas horas por dia contanto
e recontando seu tesouro.

O Rei Midas tinha uma filhinha chamada Áurea.

Amava-a com verdadeira devoção, e dizia:

"Ela será a princesa mais rica do mundo!"

Mas a pequena Áurea nem se importava

com isso. Adorava seu jardim, as flores e o sol,

mais do que a riqueza do pai.

Ficava sozinha a maior parte do tempo,

pois o pai estava sempre ocupado,

buscando novas formas de conseguir mais ouro,

e contando o que já possuía, de tal sorte

que quase nunca tinha tempo para contar-lhe

histórias ou passear, conforme deveriam fazer

todos os pais.

Um dia, o Rei Midas estava na sala do tesouro

nos subterrâneos do castelo.

Havia trancado as pesadas portas

do aposento e aberto os enormes baús.

Despejou todo o conteúdo sobre a mesa

e pôs-se a brincar com o ouro como se

o simples toque o deixasse satisfeito.

Fazia-o escorrer entre os dedos

e sorria ao ouvir o tilintar das peças,

qual doce melodia.

De repente, uma sombra se projetou

sobre a pilha de objetos.

Ao levantar os olhos,

deu com um estranho trajando roupas

brancas brilhantes e sorrindo para ele.

Soergueu-se, surpreso.

Não se esquecera de trancar as portas!

O tesouro, então, não estava seguro!

Entretanto, o estranho continuou sorrindo.

- Vossa Excelência tem muito ouro - disse ele.

- Tenho, sim - disse o rei -,

mas é pouco comparado a todo o ouro

que existe no mundo!

- Ora! Esse ouro todo não satisfaz

a Vossa Excelência? - perguntou o estranho.

- Ora, essa! - respondeu o rei

- Mas é claro que não estou satisfeito.

Passo longas noites acordado planejando

novas formas de conseguir mais.

Gostaria de poder transformar em ouro

tudo que toco.

- É isso que Vossa Excelência realmente

deseja?

- Claro que sim! Nada haveria de deixar-me

mais satisfeito.

- Pois o desejo de Vossa Excelência será

atendido.

Amanhã de manhã,

quando os primeiro raios de sol adentrarem

os aposentos, Vossa Excelência terá

o toque de ouro.

Ao terminar de falar, o estranho desapareceu.

O Rei Midas esfregou os olhos.

- Devo ter sonhado - disse ele -,

mas como eu ficaria feliz se isso

fosse verdade!

No dia seguinte, o Rei Midas acordou quando

a primeira luz do dia se fez presente

em seus aposentos.

Esticou a mão e tocou as cobertas da cama.

Nada aconteceu.

- Eu sabia que não poderia ser verdade

- exclamou, desapontado.

Naquele exato momento, entraram pelas janelas

os primeiros raios de sol.

As cobertas onde estava encostada

a mão do rei transformaram-se em ouro puro.

- É verdade! É verdade! - gritou ele,

muito contente.

Saltou da cama e correu pelo aposento tocando

em tudo que havia. O manto real, os chinelos,

os móveis, tudo virou ouro.

Foi até a janela e olhou para o jardim de Áurea.

 - Vou fazer-lhe uma boa surpresa - disse ele.

Desceu ao jardim e tocou todas as flores da filha,

transformando-as em ouro.

- Ela ficará muito satisfeita - pensou.

Voltou aos seus aposentos para aguardar

a chegada do café da manhã;

e dispô-se a retomar a leitura da noite anterior,

mas assim que suas mãos tocaram o livro,

o objeto se transformou em ouro maciço.

- Não posso ler, assim - disse o rei -, mas, ora,

é bem melhor ter um livro de ouro.

Naquele exato momento,

um criado entrou nos aposentos,

trazendo-lhe o café da manã. - Que beleza!

Vou começar pelo pêssego,

que está vermelhinho de tão maduro.

Pegou-o então, mas,

antes de conseguir comê-lo, já se havia

transformado num pedaço de ouro.

O Rei Midas o colocou de volta no prato.

 - É muito bonito, mas não posso comê-lo!

 - disse ele.

Pegou uma broa de pão,

mas também ela se transformou em ouro.

Colocou a mão no copo d'água,

mas tudo virava ouro.

 - O que vou fazer? Tenho fome e sede.

Não posso comer nem beber ouro!

E logo a pequena Áurea entrou

em seus aposentos.

Ela estava chorando, muito sentida,

e trazia nas mãos uma das rosas.

- O que houve, filhinha?

- Ah, papai! Veja o que aconteceu

com minhas rosas!

Estão todas duras e feias!

- Ora, são rosas de ouro, filha.

Você não acha que estão

mais bonitas agora?

- Não - disse ela, soluçando.

- Não têm mais o agradável perfume

que tinham. Não crescerão mais.

Gosto de rosas vivas.

- Não se preocupe - disse o rei -,

venha tomar seu café.

Entretanto, Áurea percebeu que o pai

não comia, e que estava triste.

- O que houve, meu querido pai?

- perguntou ela, aproximando-se.

 Deu-lhe um abraço, e ele a beijou.

 Mas, de repente, o rei soltou um grito

de pavor.

Ao tocá-la, o lindo rostinho transformou-se

em ouro brilhante, os olhos não viam mais,

os lábios não conseguiram beijá-lo também,

os bracinhos não o estreitaram.

Deixou de ser uma adorável

e carinhosa menina; transformara-se

 numa estatueta de ouro.

O Rei Midas baixou a cabeça e os soluços

o sobrepujaram.

- Vossa Excelência está feliz?

- alguém perguntou.

O rei levantou a cabeça e viu o estranho

de pé a seu lado.

- Feliz! Como te atreves a perguntar

uma coisa dessas?

Sou o homem mais triste na face da terra!

- disse o rei.

- Vossa Excelência tem o toque de ouro.

E isso não basta?

O Rei Midas não tornou a olhar para o estranho,

nem respondeu.

- O que Vossa Excelência prefere:

comida e um copo d'água fresca ou essas

pedras de ouro? - disse o estranho.

O Rei Midas não conseguiu responder.

- O que prefere ter, ó Majestade?

Aquela estatueta de ouro ou uma menina

que pode correr, rir e amá-lo?

- Ah, devolva-me minha filhinha Áurea

e eu abdicarei de todo o ouro que tenho!

- disse o rei. - Perdi a única coisa que realmente

me valia ter.

- Vossa Excelência demonstra agora mais

sabedoria do que antes - disse o estranho.

- Vá mergulhar no rio que passa nos fundos

do jardim, e depois leve um pouco da água

para jogar sobre tudo aquilo que deseja

ter de volta ao normal.

O estranho, então, desapareceu.

O Rei Midas levantou-se rapidamente

e foi correndo até o rio. Mergulhou,

pegou um bocado de água e retornou

ao palácio.

Jogou-a sobre Áurea e as cores voltaram

a iluminar seu rosto.

Ela tornou a abrir os olhinhos azuis.

- Ora, papai! - disse ela - O que aconteceu?

Chorando de alegria, ela a pegou no colo.

Depois disso, o Rei Midas nunca mais

se preocupou com ouro algum,

a não ser o ouro que existe no brilho do sol

e nos cabelos da pequena Áurea.

Adaptação de O livro das maravilhas,

de Nathaniel Hawthorne

 

GOLDSCROLLUPWARDS-1.gif GOLD SCROLL UPWARDS image by aneelahafeez

 

 

Com o meu carinho e amizade...

Llyz!

permalink

A Espada Mágica  (*¨`*:Fábulas & Parábolas& Contos*¨`*:) escrito em quinta 25 fevereiro 2010 00:18

espada.gif espada image by bialystok_2008

A Espada Mágica

 

Existe uma história muito, muito antiga,

do tempo dos cavaleiros em brilhantes

armaduras, sobre um jovem comum

que estava com muito medo de testar

sua habilidade com as armas,

no torneio local

Certo dia, seus amigos quiseram pregar-lhe

uma peça e lhe deram de presente

uma espada, dizendo que tinha

um poder mágico muito antigo.

O homem que a empunhasse jamais

seria derrotado em combate.

Para surpresa deles,

o jovem correu para o torneio

e pôs em uso o presente,

ganhando todos os embates.

Ninguém jamais vira tanta velocidade

e ousadia na espada.

A cada torneio, a notícia de sua maestria

se espalhava, e não tardou a ser

ovacionado como o primeiro

cavaleiro do reino.

Por fim, achando que não faria

mal nenhum,

um dos seus amigos revelou a brincadeira,

confessando que o instrumento

não tinha nada de mágico,

era só uma espada comum.

Imediatamente o jovem cavaleiro

foi dominado pelo terror.

De pé na extremidade da área de combate,

as pernas tremeram,

a respiração ficou presa na garganta

e os dedos perderam a força.

Incapaz de continuar acreditando

na espada, ele já não acreditava

mais em si mesmo.

E nunca mais competiu.

(História retirada do Livro das Virtudes II

 - Lealdade aos princípios)

 Candy Dolls

Com o meu carinho e amizade...

Llyz!

permalink

***DOIS SENTIDOS...***  (*¨`*:Fábulas & Parábolas& Contos*¨`*:) escrito em segunda 22 fevereiro 2010 02:26

124aa1-1.gif red image by B-E-S 124aa1-1.gif red image by B-E-S

DOIS SENTIDOS

NÃO ASSAM MILHO

124aa1-1.gif red image by B-E-S

Cheguei cedo para o churrasco na fazenda

de um amigo no interior.

Quando cheguei, a cozinheira, atarefada me disse :

“Ainda bem que o senhor chegou!

A carne está na churrasqueira lá no fundo

e eu tenho que olhar o arroz e o feijão

e ainda fazer a farofa .

E eu fico correndo daqui pra lá

e o feijão começou a queimar .

Isso não dá certo!

"DOIS  SENTIDOS NÃO ASSAM O MILHO”

Ouvi aquilo com atenção e fiquei pensando

no que significaria aquele

“Dois sentidos não assam milho...”.

Perguntei a velha cozinheira

e ela me deu uma verdadeira aula

de “FOCO”

“As coisas só dão certo quando

a gente presta atenção numa coisa de cada vez,

e faz uma de cada vez.

 Não adianta querer fazer as coisas

com dois sentidos , isto é direção .

A gente tem que ter um sentido só,

uma direção só .

 E o milho não assa ! E o milho queima “

E eu fiquei pensando na sabedoria popular.

Na sabedoria dos mais velhos.

Na sabedoria das pessoas simples .

A gente estuda, estuda, lê livros complicados,

faz cursos no mundo inteiro,

para muitas vezes nem chegar perto

da sabedoria de uma senhora analfabeta

que com “bom senso “ diz e sabe das coisas

que realmente importam na vida.

As maiores autoridades mundiais em administração

e gestão hoje falam da importância do “FOCO”

para pessoas e empresas.

As empresas e pessoas têm que ter foco, isto é,

concentrar-se nas suas fortalezas .

A falta de foco faz com que as empresas

não consigam formar a necessária “IDENTIDADE” 

de marca na cabeça de seus clientes .

Sem foco as pessoas não conseguem

se desenvolver,

investir em si próprias ter sucesso.

Nesta semana, pense nisso.

Será que não temos o péssimo hábito

de querer fazer tudo ao mesmo tempo

e deixamos o milho queimar ?

Lembre-se que

 “dois sentidos não assam milho”

 Mensagem enviada pela amiga NANDHA

 124aa1-1.gif red image by B-E-S

 

Com o meu carinho e amizade...

Llyz!

permalink

×÷·.·´¯`·)» LIÇÕES DO VIVER «(·´¯`·.·÷×  (*¨`*:Fábulas & Parábolas& Contos*¨`*:) escrito em segunda 22 fevereiro 2010 01:59

 Gotyou11111.gif Fairy image by augustav_2008barrafloraani.gif (2585 bytes)

Lições de viver

barrafloraani.gif (2585 bytes)

 Se a desilusão atingir sua alma,

 devastando seus sonhos e ofuscando

novas possibilidades,

pense na infinidade de caminhos que podem

se abrir para você em apenas um dia,

uma hora, um minuto...

Se a frustração acariciar friamente sua face,

fazendo-te cair diante dos obstáculos,

olhe para trás e veja o quanto você

já caminhou e o quanto cresceu

colhendo em cada trilha amigos sinceros,

amores, experiências inesquecíveis...

Se as palavras de insulto e humilhação

agredirem a sua integridade,

lembre-se de que elas são frutos putrefatos

da maldade e da inveja,

vire-se e continue a caminhar sem dar

ouvidos aos fracos de alma

que as pronunciam:

um dia eles entenderão porque são

completamente sós...

Se a preocupação com os encargos

do dia-a-dia tomar sua mente

e enfraquecer o seu corpo,

despertando o nervosismo e o estresse,

olhe o horizonte e tente descobrir

as saídas para os problemas ao invés

de lamentar e achar que eles são piores

do que realmente são...

Se o vazio e a insegurança invadirem

o seu peito, suba em uma cadeira,

abra os braços, feche os olhos

e repita para si mesmo

"Eu posso voar..."

Você é capaz de tudo desde que acredite

em si mesmo.

Se a solidão sussurrar em seus ouvidos

palavras melancólicas,

não se esqueça de que em cada dia,

em cada instante,

você conhece pessoas novas

e que uma delas, no futuro,

será o grande amor da sua vida,

aquela pessoa que te fará acreditar

em noites iluminadas,

que estará sempre ao seu lado

e juntos vocês terão muito a aprender...

Se a tristeza insistir em te acompanhar,

saiba enxergar a felicidade nas pequenas

coisas da vida, numa conversa

com os amigos,

na brincadeira com o cachorro,

ou no jogo de damas com seu avô...

Rotina é uma palavra que não existe,

pois cada dia traz consigo pequenas

surpresas e cada pequeno gesto

guarda uma imensa felicidade...

E depois de tudo isso,

olhe para si mesmo e veja o quão

especial você é,

imagine o quanto pode fazer pelo mundo

e pelas pessoas,

valorize as suas qualidades

e tente corrigir seus defeitos

(o que é realmente difícil)

e saiba o quanto é privilegiado

por poder caminhar,cair

e aprender com os erros, por ser capaz

de escrever uma história única,

como nenhuma outra...

Pense nisso...

(Vanessa Damo)

 

barrafloraani.gif (2585 bytes)

fadaanim.gif fadas image by miazinha_26

Com o meu carinho e amizade...

Llyz!

permalink

Olhar o céu todas as noites...  (*¨`*:Fábulas & Parábolas& Contos*¨`*:) escrito em sábado 20 fevereiro 2010 15:00

Olhar o céu todas as noites,

decifrar linguagens das estrelas, lua, nuvens

e ventos era momento de prazer sempre renovado.

Quando se está só, as coisas que nos rodeiam

ganham outra importância.

Temos tempo para elas, entendemo-las,

deixamos que entrem connosco na nossa vida.

E à noitinha, no veludo negro do céu,

via estrelas lindas, lindas que não sabe

por que loucura ouvia falar.

Aquele barulho e o tremeluzir ritmavam

melodias, conversas, confidencias...

E os jogos que faziam?

Fugiam para um lado e para o outro,

escorregavam sabe-se lá para onde,

dançavam... Escondiam-se!

Era então que o pastor desdobrava recordações,

passeando pelo Largo da sua Infância

com acenos de felicidade...

E lembrava-se das histórias com estrelas.

Todos tínhamos uma no céu, dizia-se.

Boa ou má... Ah! Se um dia descobrisse

a sua Estrela!!!

Noite após noite, procurava um sinal,

um sussurro...

A Lua olhava-o divertida e aguardava

serenamente poder assistir ao encontro

do pastor e da sua Estrela.

Era nas noites sem sono que o som da flauta

subia mais alto no silêncio.

O brilho da minha estrela

Aquece o negro do céu;

Espreito-a pela janela,

Marco encontro: ela e eu.

Sou jovem enamorado

À noite mato a saudade,

Desce no sopro da Estrela

Um sol de Felicidade.

- Pastor, sou a tua Estrela! Pastor,

sou a tua Estrela! - ouviu-se.

Era lá possível! Cantigas, são cantigas!

Não queria acreditar! Esfregou os ouvidos,

os olhos. E ouviu de novo:

- Pastor, sou a tua Estrela!

E tremeluzia rindo em brilho de poeta e paz.

O pastor teve receio.

Beliscou-se até doer para sentir

que estava acordado.

E estava mesmo...

Porque a Estrela continuava:

- Que linda a tua serenata!

Diz-me os teus anseios, mas pensa bem,

antes de decidires.

Traçado o Caminho da Vontade,

partiremos juntos, e não voltaremos atrás.

Quando quiseres, chama-me!

Sou a tua Estrela.

E afastou-se devagarinho.

Prisioneiro daquela voz que lhe oferecia

viagens, deixou fugir as ideias para

paraísos sumarentos.

Abandonou-se a uma loucura saborosa

e teceu aventuras que acariciou com

o desejo semeado pela espera.

Queria partir, conhecer serranias altas,

coroadas de branco...

Numa noite luminosa olhou o céu:

- Estrela, minha Estrela.

Sou eu que te chamo! Vem comigo!

O cheiro das lareiras da aldeia

entranhava-se no ar e bafos tépidos,

conhecidos, aconchegavam e prendiam

as gentes.

Mas o pastor tinha de seu apenas a solidão

e uma vontade que recusava resignação

e bolores.

Vizinho de um mundo de sonho,

partiu com a Estrela mais brilhante.

Marcou os caminhos que percorreu

com a alegria.

Irrequieto e insubmisso, em cada terra,

um sonho novo subia-lhe à cabeça

e reinventava o gosto de viver.

Fascinava-o uma criança,

um regato de cantilenas, uma romã aberta...

Eram imagens que soldava ao corpo,

para construir pilares capazes

de exorcizar tristezas, hipocrisias, azedumes.

O pastor tinha escolhido uma Boa Estrela.

Os anos passaram.

Os caminhos da montanha rendilhados

de branco estavam próximos.

No céu, a Estrela brilhava cada vez mais

intensamente.

Entrava-lhe todas as noites nas palheiras

que lhe serviam de abrigo.

Desafiava-o feliz para todos os percursos

até ao local do seu encantamento.

Do alto da Serra, dominaria horizontes

mais largos e maior seria o seu prazer

franciscano de se emocionar, admirar

e acariciar ternamente o que o rodeava.

- Pastor, sou a tua Estrela!

Estamos perto. - confidenciava-lhe.

Flautas mágicas cantavam com

o sopro do vento.

O pastor cansava-se, subia...

A Estrela à sua frente, corria, corria,

corria em fúria de chegar.

- Tão bonita a Serra!

- Tão bonita a Serra! Ecoavam as vozes

voando longe, longe, longe.

Pastor mergulhou o olhar nos rumores

e espaços marcados por pedras e lagoas,

 plantas e bichos a quem ouviria histórias...

para contar.

Ali ficaria. Com a Estrela sua companheira,

Amiga e conselheira, durante uma vida.

Esperavam que a noite descesse para

as longas conversas e confidências...

Diz-se que o Rei cioso das maravilhas

do seu reino, teve conhecimento desta Amizade.

E quis a Estrela.

Coleccionador de raridades aspirava possuí-la.

- Dou-te o que pedires.

Ofereço-te poder e privilégios que nunca

conheceste em troca da tua Estrela.

No rosto do pastor desenhou-se a admiração:

- Não posso dá-la! - elucidou

- É a minha Estrela e ficará comigo

para sempre.

Vossa Majestade pode escolher uma no Céu.

O Rei não acreditava no que ouvia:

- Recusas as riquezas, o bem-estar, poderios?

Não sabes o que fazes.

Para que te serve uma estrela se não tens

mais nada?

- Eu tenho um dom digno de deuses.

Conheço meu caminho.

Tracei-o com as minhas mãos;

povoei a vida com alegrias

- e algumas tristezas!

- que não posso oferecer, nem trocar,

nem esquecer... Fizeram de mim o que sou...

A Estrela ouviu o pastor.

Na noite de veludo brilhou com maior fulgor.

Ainda hoje, todas as noites se vê na Serra

uma Estrela linda, estranha,

diferente de todas as outras.

Acompanha o pastor e é sempre...

ternamente apaixonada pelos pastores

e pela Serra a que deu o nome:

A Serra da Estrela.

Com amor , carinho e amizade...

Llyz!

permalink